27 julho, 2007

Para quem ainda não conhece



TV On The Radio, a banda coqueluche do David Bowie, e com muito mérito. Pessoalmente, isto é a banda com mais capacidade que o David Bowie alguma vez colocou na ribalta, ultrapassando a força criativa do Iggy Pop e Lou Reed que o camaleão do rock restabeleceu como ícones da música na década de 70. As letras são fantásticas e lembram todo o movimento literário beat da geração 50-60, do qual fizeram parte autores como William S. Burroughs, Allen Ginsberg e o incontornável Jack Kerouac. Vieram ao SBSR no dia 5 de Julho e são incrivelmente bons, com secção uma rítmica impressionante.
O seu 2º álbum, Return To Cookie Mountain, é dos melhores do ano passado, talvez ultrapassado apenas pelo Ys da Joanna Newsom, no que toca a originalidade.

3 comentários:

Bino Lento disse...

"ultrapassando a força criativa de Lou Reed"... não quero ser conflituoso, mas parece-me para já um bocado exagerado afirmar isso assim.

coolbeer disse...

Terei de concordar com o Bino. Parece-me que a adopção de um discurso tão hiperbólico em relação a um grupo de música ainda tão imberbe em termos de notoriedade poderá afectar a validade dos teus futuros pensamentos escorridos neste blog.

D@V|§ disse...

Por muito mérito que dê ao Transformer do Lou Reed, nomeadamente à brilhante Walk On The Wild Side que dia sim, dia não, dou por mim a trautear sem saber porquê nem como, acho-o um retrocesso em relação aos álbuns de Lou Reed enquanto membro dos Velvet Underground (tal como acontece com a maioria dos artistas a solo, por exemplo também o referido Iggy Pop).

Além disso os TV On The Radio, mesmo não sendo um grupo conhecido das grandes massas, têm uma vasta experiência no mercado musical. O guitarrista David Sitek foi produtor dos Yeah Yeah Yeahs, e Tunde Adepimbe foi responsável pela animação de vídeos da mesma banda. Têm uma carreira de 4 anos, e lançaram o seu 1º album em 2004, seguido do seu sucessor, em tudo superior, em 2006.

Foi também com o 2º album a solo que Lou Reed reconquistou o apreço da crítica (o 1ºo album homónimo é para mim um esterco, não fazendo justiça à sua qualidade como membro fundador dos Velvet Underground). E de realçar que logo o 1.º album dos Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn, ainda com a participação de Syd Barret, foi um marco histórico importantíssimo, tendo tido uma influência gigantesca no rock psicadélico, ainda antes do Crazy World Of Arthur Brown - que saiu um ano depois.

Portanto, sendo o grupo imberbe (o que contesto) ou não, a capacidade criativa não pode e não deve ser tida como directamente proporcional aos anos de carreira de uma banda - e casos como os Metallica, os U2 e tantos outros mostram exactamente o inverso, quantos mais anos a banda tem de existência, piores os discos e menor é a irreverência e inovação. Neste caso, obviamente que também existem excepções bem vindas como os Radiohead, os Queens of the Stone Age e o Scott Walker.

Mas pondo um ponto final nisto, que eu tenho fome e quero ir buscar chocapic à cozinha, gostos são gostos e eu considero revolucionária e refrescante a existência de uma banda rock que não esconde tanto as suas influências da geração beat, notório na temática e profundidade líricas, bem como as suas raízes africanas, utilizando por exemplo estruturas musicais do afrobeat, resultando numa sonoridade completamente diferente do rock que tem, salvo raras excepções, vindo a repetir-se cada vez mais nestas duas últimas décadas.

E têm grande consciência política, prestem por exemplo atenção à letra da Dry Drunk Emperor.