Em relação àquilo que o coolbeer afirma, eu concordo em alguns pontos. No entanto, sou da opinião que a culpa de grande parte do que se passou em Portugal desde a época dos Descobrimentos não se pode atribuir simplesmente à grande maioria da população, mas sim às classes dirigentes inqualificadas. Penso que não foi a maioria da população que estava desejosa de ter um calhau gigante plantado frente à tapada, o que custou muito ouro do Brasil e muitos impostos para manter. Funções do dito monunmento hoje em dia:
- Alojar grunhos de uniforme verdinho que passam o dia a mandar piropos ao sexo oposto;
- Dar 15 concertos de música clássica no claustro sul por ano;
- Tirar fotos dos casamentos nas escadarias;
- Missa aos Domingos.
Era necessária tanta merda? Mais valiam mandar aquela merda abaixo e fazerem um Pavilhão Multiusos (de preferência com melhor acústica que o Pavilhão Atlântico) e possibilitarem um acesso gratuito ao parque desportivo a toda a população, fosse do concelho, ou não fosse.
Não se criam condições para a população, não se dão incentivos aos cidadãos que pagam os impostos, existem pessoas a trabalhar para o estado que ganham mais que o presidente. Nesta situação é perfeitamente normal que cada um queira olhar por si, pois o estado não olha por nós.
A ausência de estado social só resulta se o sector privado for minimamente consciente das necessidades e possibilidades dos consumidores, e se houver organismos reguladores. Ora organismos reguladores não os temos. Tanto para o sector privado como para o sector público. Não vou falar nas pessoas que ocupam cargos estatais importantes e que semana sim, semana não aparecem nos noticiários porque alegadamente estão envolvidos nalguma ilegalidade, seja ela corrupção activa, desvio de fundos, etc. No entanto, qualquer cidadão é inocente até prova em contrário. Daí eu achar perfeitamente razoável que se possa eleger alguêm para presidente de câmara ou outro cargo estatal enquanto essa pessoa está em tribunal a defender a sua inocência. Está na constituição, portanto fodam-se.
E depois temos a questão da ignorância. Qualquer regime político estável, do qual os seus dirigentes possam tirar o máximo proveito e benefício próprios só resulta mediante uma condição: A referida ignorância.
Não é a população que opta por ver a floribella, os morangos com açucar, o futebol, os concursos estupidifantes. São as estações de televisão e os restantes media que não dão mais escolha. Se na sic está a dar a floribella, na tvi está a dar os morangos com açucar. Se na tvi dá 1 jogo dos 3 grandes à noite, noutro canal está a dar um novela qualquer ou um concurso com o malato. A população não lê. E os preços das publicações? Nem toda a gente é fluente em inglês ou francês. Se um livro importado, não traduzido custa perto de 10€, a sua tradução, edição, publicitação e respectivas margens de lucro fazem o seu preço subir para os 18, 20€. Ganhamos todos muito bem para esbanjar dinheiro assim. Teatro, bailado, ópera? Alguém de vocês vai com frequência ver os ditos espectáculos? Estão conscientes dos preços? A última vez que quis ver teatro, fiquei atónito com o preço que me pediam - 35€. Foda-se!!! 2 amigos nossos foram ver o Lago dos Cisnes sobre o gelo. O preço não foi inferior a isso. Querem ir à ópera. Aonde? Possivelmente no Algarve. No entanto o espaço está às moscas e o preço ronda os 60€. Fantástico, não é?
Querem cultura? Vão ao cinema, ver a última produção sobre o 11 de Setembro, ou podem ir ver o Wrestling ao Pavilhão Atlântico. Cultura para a grande maioria da população resume-se a isto: Noites da Cigarra no Largo D. João V, de Julho a Agosto em Mafra.
Depois temos os organismos reguladores do sector privado. Temos a Deco. Que é uma fantochada. Queres reclamar com a PT porque te facturaram 23 chamadas para o Bangladesh? Estás registado na Deco, o que implica uma mensalidade? Nã0? Ohhhhh. Pagas, se não quiseres ficar sem linha telefónica. Tiveste uma intoxicação alimentar porque comeste um enlatado fora do prazo de validade? Tás registado na Deco? Não? Ohhhhh. Pagas o tratamento hospitalar e os teus dias de baixa também te saem directamente do bolso. Tavas chateado e mandaste-te para a frente dum autocarro? Queres ir ao fisioterapeuta? Tens seguro de saúde privado? Não? Ohhhhh. Ficas sem mexer o pescoço.
Já ouviram falar em serviço público?
10 outubro, 2006
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2 comentários:
1º-os dirigentes têm culpa? sem dúvida...ou escolhes outros ou então candidata-te, ganha e faz melhor;
2º-o calhau no tempo dele serviu para "calar" aqueles que diziam que "não consigo arranjar emprego e a culpa é do rei. morte ao rei!!";
3º-se um multiusos da prejuízo em lisboa imagina em mafra;
4º-larga o discurso do coitadinho, que não resulta;
5º-pa começar o presidente se calhar ganha pouco, depois o ordenado de uma pessoa tem muito mais a ver com o que ela faz do que com aquilo que os outros fazem, o que implica que essas tais pessoas que tu dizes que ganham muito se calhar ate ganham muito… pouco;
6º-o estado não existe para olhar por ti, tu e que tens de olhar pelo estado;
7º-as empresas sao e sempre foram conscientes das necessidades individuais dos consumidores, o problema esta nos individuos que dizem uma coisa e fazem outra;
8º-quanto a constituicao que se aproveite a capa, e se incinere o resto;
9º-podes sempre desligar a televisao e fazer outra coisa qualquer, sempre aprendes mais do que a ver telenovelas. livros? podes ir a biblioteca buscar um livro e se não podes ir ao teatro ou a opera 50 vezes num ano, vai so 5, gastavas menos do que em tabaco (por exemplo), mas pra ti o tabaco vale mais do que ir ao teatro, e essa escolha es tu que fazes;
10º-a deco e uma anedota, mas se eles prestam um serviço que tem um custo e alguem tem de o pagar, e se tu que tens o beneficio nao o queres pagar porque e que havemos de ser nos?;
11º-servicos publicos sao uma ilusao, porque tudo tem um preco.
Fiquei positivamente admirado e satisfeito que um dos nossos leitores tenha dedicado o seu tempo para meter um comentario bem estruturado, até porque o post em si não o é.
Mesmo sendo um post com bastante falta de seriedade, estão nele presentes muitos pontos de vista que eu defendo. Portanto vou me dar ao trabalho de argumentar co zior ponto a ponto.
1.º - Não me candidato nem enveredo pela vida política, pois penso que a minha vocação está bastante longe de ser essa. No entanto fico deprimido com a falta de escolha de qualidade em tds o panorama político;
2.º - Não sei até que ponto os custos de construção do calhau equivaleram aos beneficios que a população retirou da sua construção; e falo tanto da criação de emprego na altura da sua construção, como tds os beneficios culturais à população. Por outro lado, existem todos os gastos financeiros num momento que é extremamente mal aproveitado;
3.º - Um multiusos daria com certeza menos prejuízo que um convento mal aproveitado (mas sim, confesso que a ideia e descabida, e que tinha uma conotação meramente humorística);
4.º - Se eu fosse coitadinho, ia pedir esmolas;
5.º - O presidente, sendo o representante máximo do estado português, tem as maiores responsabilidades, lg acho razoável ter o ordenado mais chorudo. Refiro-me a tds os administradores da função pública que ficam 2 meses na CGD e dps de abandonarem o cargo, seja por que razao for, recebem reformas + altas que o presidente da república. Agora pode-se argumentar a isto que, se trabalhassem no sector privado ganhariam ainda mais. Mas o estado não pode nem deve pagar esse tipo de ordenados, pois o rendimento à população é minimo. Cm são os contribuintes que pagam, eu discordo. E eu, mm não trabalhando sou contribuinte também, pois cada vez que faço compras, 5 a 21% daquilo que pago entra para os cofres do estado.
6.º - Se o estado não existe para olhar por mim e por todos os cidadãos portugueses, para que é necessário então? Se for para fazer o controlo policial das pessoas que estacionam em 2ª fila, bem se podiam criar milícias privadas para o fazerem. Se for para criar SCUTS que dps acabam por ser pagas a mm, pois foram em parte investimento privado, mais vale as pessoas que as utilizarem pagarem lg as empresas em questão, não financiando cm isso td o aparelho estatal, que acaba por ser inutil, segundo uma perspectiva exclusiva de controlo e regulação e não de prestação de serviços. A não ser que se considere que um organismo exclusivo de controlo e regulução preste algum serviço às pessoas.
7.º - Se as empresas são tao conscientes das necessidades individuais, como explicas que tanta gente queira trabalhar na função publica? Talvez porque as empresas privadas não dêem as mesmas garantias que uma empresa publica. Falo neste caso de estabilidade económica para os seus empregados, pois têm contratos vitalicios, e dum momento para outro nao se encontram na rua desempregados.Qt à prestação de serviços, não sei até que ponto os privados prestam serviços melhores, tendo em conta o aumento de custo associado para rentabilizar o negócio. Alem disso qualquer empresa que queira sobreviver tem de olhar 1.º para as suas proprias necessidades, e só depois para a dos consumidores.
8.º - A constituição como está, é das mais modernas do mundo, pois foi das mais tardias a ser elaborada. Portanto acredito que o seu grosso esteja de acordo com as necessidades da população. Se alguém argumentar que mesmo assim está ultrapassada em termos de direitos humanitários, e das mulheres em especifico (falo no caso do aborto), eu dou-lhe razão. Contudo, a constituição e aquilo que, no meu entender, impossibilita cada um de fazer o que bem lhe apetece, seja em detrimento de outrem ou não.
9.º - Vejo televisão quando sinto uma vontade incessante de desligar o cérebro. Ou quando acredito que o que está a passar nesse momento é de alguma qualidade. Isso resume-se muitas vezes a 15 minutos antes do jantar porque realmente preciso de desligar o cerebro, e a programas na 2: dps da meia noite com bolinha (poque acho piada tanto ao conceito de lesbianismo, cm ao argumento - falo obviamente, e passe a publicidade, do L Word);
Quanto à leitura, leio MUITO mais do que vejo televisão, o que por si só nem deveria ser motivo de orgulho, mas que hoje em dia penso que seja uma qualidade bastante rara. Mas agora porquê? Porque 90% das coisinhas giras que posso folhear foram compradas em alfarrabistas e feiras do livro. É raro ter um livro novinho em folha nas mãos, não me posso dar ao luxo de o fazer, a não ser que sejam obviamente dessa editora fabulosa que é a Penguin. Mas nem toda a população tem conhecimentos de ingles, frances, alemao,..., que lhes possibilitem ler uma obra literária na sua edicao original (smp mais barata) sem problemas maiores. Sendo a educação uma coisa dispendiosa, e Portugal um país com ordenados miseráveis e grande taxa de abandono escolar, temos aqui um dilema, penso eu.
Consequência disso: A população mantem-se na ignorancia. E com certeza que isso beneficia muita gente que se saiba aproveitar disso.
Quanto ao tabaco, sendo um vício como outro qualquer, liberta doses consideráveis de serotonina na minha corrente sanguínea, fazendo-me sentir mais feliz e diminuindo a minha esperança média de idade (o que é bom, pois se morrer antes dos 65 ou 67 anos,
1 - cada português receberá mais reforma devido à minha ausência neste mundo, ou então alguém desvia uns fundozecos e alguém compra um SUV e faz uma piscina no quintal da casa à minha pala;
2 - Não assisto a toda a dimensão do aquecimento global, escusando-me de suar que nem um cão e chorar a perda da maioria do litoral europeu e das calotes polares na gronelândia);
10.º - A Deco é uma anedota em Portugal. A sua equivalente alemã (que eu conheço e ao qual os meus cotas recorriam) é uma instituição que inspira respeito e sem custos associados. E porquê? Porque ao contrário do tuga que quando recebe p exemplo uma factura da tvcabo com um acrescimo considerável do preço a pagar, que resulta de incompetência ou simplesmente burla, paga e cala, o alemão tem um sentido cívico muito mais desenvolvido e faz os seus direitos respeitar. Ou sozinho, se for caso disso até mediante apoio juridico proprio, ou então auxiliado pela deco alemã. Em vez de se dizer "Liedson resolve" poderiamos acreditar em "Deco resolve", e acho que uma grande faixa da população portuguesa beneficiava disso. Mas pagar uma mensalidade para receber uma revistinha em casa que testa torradeiras e azeitonas enlatadas e depois mm assim nao ter garantias de ter um apoio juridico razoavel em caso de necessidade, é algo de que grande parte da população não pode e não quer usufruir.
11.º O preço dos serviços públicos são os contribuintes que o pagam. Agora existem vários problemas nisso:
- Fuga aos impostos;
- Mau gerenciamento de capitais;
- Corrupção;
Eu sou plenamente a favor do estado social, pois se o estado funciona como organismo regulador, e encaixa dinheiro com isso, então terá que dar benefícios à população.
A monarquia acabou em portugal no ano tardio de 1910, e felizmente hoje em dia não existe figura alguma que esteja acima da lei e que possa enfiar no cú a quantia de € que bem entender.
Portanto pagamos todos impostos, não para enriquecer o estado, mas para o estado nos servir. Se o estado apresenta um orçamento com défice há que ratificar essa situação, sendo por substituir quem faça as contas (os quadros do ministerio das finanças que estarão a gerir mal o capital que lhes é fornecido pelos contribuintes), ou em último caso aumentando os impostos, mas sempre com o intuito de melhorar as condições e aumentando a esperança média de vida da população.
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