10 outubro, 2006

Estado da Nação

Estava a dar uma olhadela pelos programas de audiências em Portugal e não deixa de ser curioso que a dupla N&N (Notícias & Novelas) pertença aos programas de eleição dos portugueses.

E porquê? Que tipo de pessoas habitam neste minúsculo terreno que permanece encostado entre a espada e a parede, que é como quem diz, pelos espanhóis e pelo mar?
Porque é que os portugueses continuam a admirar a história da desgraçadinha, seja a Floribela ou a Dona Maria que com 80 anos tenta sobreviver com a sua reduzida pensão? Porque é que teremos sempre de continuar sós neste mundo?

Se os noticiários são dos programas mais vistos pelos portugueses, porque é que continuamos a achar que "os políticos são todos iguais, nem vale a pena votar"? Pior que isso, votar em quem está a ser julgado nos tribunais só por pura teimosia? Porque é que continuamos a olhar sempre para o nosso umbigo? Porque não existe a noção de comunidade nacional? Porque é que o país está divido entre Norte, Sul, Alberto João Jardim e Açores?

Porque é que tentamos sempre ser mais espertos, espertos e não melhores, do que os outros? Que mentalidade é esta que não nos obriga a ser os melhores no que fazemos, tendo apenas como referência o colega do lado? Porque é que os bem sucedidos terão sempre de ser os vilões da história? Seja na novela ou seja na vida real.

Com a classe jornalística que existe em Portugal, até percebo que as notícias se confundam com as novelas. Tal como as novelas tentam confundir-se com a realidade, ignorando o seu papel e tentando assumir uma preponderância que nunca deveriam ter reclamado.

Aos poucos, vamos perdendo os 3F's que nos definiam, exceptuando, como é obvio, o futebol. Vamos passar a ser o país dos 3D's: Desgraça, Desilusão e (haja fé em) Deus.

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