Com a notícia que saiu nas últimas horas em todos os meios de comunicação social portugueses, e alguns estrangeiros como o The Independent, sobre as provas de envolvimento de Sócrates no caso Freeport, Portugal apressa-se a atingir um abismo político na pior crise mundial desde que os Aliados venceram o Eixo.
Não hajam dúvidas: caso as notícias se comprovem e se provem verdadeiras, teremos de recorrer a um sufrágio antecipado enquanto se decide nos tribunais a sentença para o acto de corrupção. Mas este personagem Sócrates, tal como Nixon o era, tem vindo a revelar um passado curiosamente obscuro, tão oblíquo que uma investigação mais atenta durante o processo de candidatura a teria invalidado à nascença. A verdade, tão irónica quanto deliciosa, é que uma pessoa com um percurso profissional e universitário (porque não) completamente banal consegue atingir o grau de liderança de um país, implementando reformas importantes e trabalhando como nenhum outro primeiro ministro o havia feito.
Critique-se o que se criticar sobre o Magalhães, sobre as medidas tomadas na Saúde que levaram à queda tardia de um ministro, sobre a obsessão economicista na gestão de um país, sobre as guerras com os professores, ninguém pode negar que o governo de Sócrates tentou mudar alguma coisa e só por isso mereceu o respeito de quem votou. Incluindo no combate à corrupção, talvez por saber bem demais como as engrenagens são oleadas neste canto. E é isso que torna as coisas tão ímpares: um primeiro ministro, não em estado de graça porque nunca nenhum político o esteve mas em vias de maioria absoluta é, afinal, um mentiroso competente. Até porque todo o polémico processo tem indícios tão sonoros que me parece que a justiça portuguesa tem a particularidade de não ser só cega, mas também surda.
Regressando ao hemiciclo, seria também interessante analisar este súbito silêncio da oposição, que em circunstâncias lógicas se atiraria a este caso sem pensar duas vezes. Apenas o BE, porque é o BE, falou sobre isto. Tudo o resto se calou ou, pasme-se, defendeu Sócrates. Será sinal que a corrupção é extensível a todo o circo, perdão, círculo político?
Quero mesmo acreditar que não...
P.S. Estamos no país em que Fátima Felgueiras e Isaltino Morais são eleitos em apoteose, por isso não me admiraria que Sócrates, mesmo que se confirme o caso de corrupção, se lançasse às eleições.
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1 comentário:
Major Valentim Loureiro a PR!!! Isso é quer era. E o Pinto da Costa a Ministro dos Negócios Estrangeiros. Era a festa da democracia. E o Alberto João a PM, a sambar algures numa capital tropical qualquer, vestido com um trapo à frente da pichota, a alçar o rego para os jornalistas, portugueses, madeirenses ou os que forem.
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