24 fevereiro, 2008

Anúncio da Vodafone

Estes tipos da Vodafone têm um sentido de humor peculiar... a imagem acima é uma parte dum PrintScreen que fiz hoje à página da revista Blitz (quem já a visitou, pode reparar nisso pelo tipo de letra), mais concretamente à parte da publicidade dos toques para telemóveis da Vodafone,.

O slogan usado: «Reabilita o teu toque». Imagem associada: Amy Winehouse.

Já agora, de notar que na lista que está ao lado o nome da rapariga nem sequer aparece lá...

19 fevereiro, 2008

Artigo de António Barreto no Público

A MEIA DÚZIA DE LAVRADORES que comercializam directamente os seus
produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes
superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de
restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que
trabalham, preparam-se, depois da chegada da "fast food", para fechar
portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e
"petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a
toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as
últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam
diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces,
compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os
artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão
ser liquidados.


A SOLUÇÃO FINAL vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os
inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste
velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem
não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem
não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de
produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a
toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são
poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas
directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do
mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do
Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do
pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas
certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel
da ração e pelos impérios do açúcar.


EM FRENTE À FACULDADE onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os
estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e
jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!


Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas
de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro.
Tem de ser em copos de plástico.


Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata
que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou
Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude
fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas,
queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que
tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão
verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.


Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.

Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.

Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre
é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e
azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça?
Acabou. É proibido.

Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias
de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado?
Proibido.

Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é
proibido. Só industriais.


É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas
especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos
pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos?
Proibido.


AS REGRAS, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao
encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas
não chegam para as descrever.

Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem
de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.


Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode
cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta
"produto não válido", mesmo que esteja vazia.

Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma
sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora
dessa operação.


Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou
açorda.


Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.

Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de
plástico, papel ou tecido.


Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido.
As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com
célula fotoeléctrica.

As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes
por dia e devidamente registadas.


As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três
vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo
funcionário certificado.


Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos?
Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.

Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde
que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das
mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a
data e a hora do corte.

O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e
leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de
leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa
saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para
estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as
brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas.
Para nosso bem, pois claro.

12 fevereiro, 2008

Orphelia

A realidade actual ultrapassa a realidade prevista pelas revoluções sociais e políticas que lhe deram origem. Os processos intelectuais nos quais se basearam os princípios que ainda regem as legislações contemporâneas não podiam prever o exponencial desenvolvimento científico que se verificou. Todo este desenvolvimento permitiu o crescimento de entidades externas aos órgãos legislativos e governamentais, tornando-se mesmo muitas vezes as primeiras mais poderosas que os últimos, reformulando todos os conceitos que existiam políticos ou sociais. Já não se pode falar dos moldes económicos capitalistas como demónios, nem de um socialismo salvador. Palavras como liberdade, igualdade e escolha, definições como esquerda e direita perderam clareza, perderam impacto e são hoje um denso nevoeiro do qual podemos retirar conclusões tão concretas para um ponto de vista como o são para o exactamente contrário. As próprias fronteiras, outrora sulcos tremendos que separavam povos, diluem-se com uma constante globalização de movimentos de opinião. Nunca tanta informação pode chegar a tantos. E o que faz o homem perante esta revolução da sua realidade? Esconde-se atrás do conforto de uma ignorância selectiva. Os mecanismos de intervenção existem, a informação está disponível a quem a procurar e no entanto deixamo-nos adormecer. "Que impacto pode ter a vontade de um homem", pensa uma multidão em uníssono, sem contudo o partilhar.

Pensar-se-ia que o contacto com as realidades violentas da condição humana proporcionado pelos avanços tecnológicos na comunicação trouxe-se ao indivíduo a indignação perante o sofrimento do seu semelhante. Ao invés trouxe a habituação e o distanciamento. A nossa paz de espírito custa umas escassas moedas entregues ao mais próximo representante da pobreza, a entidade que mais emprega no planeta. "Paciência - pede o poder instituído - estamos a dar passos consistentes e consolidados em direcção à solução do problema." Entretanto gasta-se mais em perfume do que seria necessário para resolver o problema da água potável em Africa. Indigna-se a oposição: "São tudo processos desencadeados por neo-liberais, a quem só interessa a exploração da classe operária, a defesa de uma burguesia já beneficiada, tudo isto sustentado por uma promiscuidade entre o poder e os interesses económicos" e no final vão todos para um hotel de cinco estrelas celebrar tão gloriosa manifestação. Para o ouvido, nada de novo. Nada de chocante. Apenas as desculpas que já conhecemos, os termos a que já nos habituamos de tal forma que não só não sabemos o que querem dizer, como também já não queremos saber. Entretanto morrem mesmo todos os dias pessoas pelos motivos mais idiotas "não são pessoas - diz-me uma voz protectora - são números na televisão... três por segundo, cento e oitenta por minuto, dez mil e oitocentos por hora, duzentos e cinquenta e nove mil e duzentos por dia, mais quinze dias e estou de férias, mais três pontos e somos campeões, será que as taxas moderadoras vão subir..." tudo isto um ciclo computacional de repeat untill com a condição de fecho do ciclo por escrever. É cíclico. É previsível. É equilíbrio. É a dose de dor a que estamos habituados. É a ilusão de controlo por oposição, pois se não tem solução, resolvido está. "Que impacto pode ter a vontade de um homem", pensa uma multidão em uníssono, sem contudo o partilhar.

A ovelha Orphélia faz parte do rebanho. É parte dele, cresceu com ele, mas quer transcende-lo, pois visualizou o ciclo e procura por todos os meios o comando que o quebre, a condição de saída, o ponto de fuga. Sabe Orphelia que, tão grande como a incapacidade do poder vigente de implementar os princípios que ele próprio diz defender, só a ineficácia da oposição que o deveria dinamizar.

11 fevereiro, 2008

Horas e Horas de Ócio Resumidas em 5 Segundos


PS: depois de ter dado umas cambalhotas aqui pelo quarto a admirar o meu feito, fui ver informações sobre o Minesweeper. E claro que o melhor sitio é a Wikipedia, que tem um campo dedicado ao recordes na página sobre o jogo, campo esse do qual fiz copy, e agora vou fazer paste:

« Best times

The International Minesweeper Committee has compiled a "best ever" list which includes videos of the fastest games submitted by players. In order to get on that list, records on beginner, intermediate and expert must add up to no more than 99.
Since December 2006 this list is hosted at The Authoritative Minesweeper as the list at Planet Minesweeper is not updated anymore.

  • 37 seconds on expert by Dion Tiu
  • 10 seconds on intermediate tied with Dion Tiu, Roman Gammel and Matt McGinley (and disputed scores of 9 and 10 by Jake Warner)
  • 1 second on beginner, held by nobody - depending on the arrangement of mines, rare levels of "beginner" difficulty can be completed with a single click

It should be noted that all times above 1 second can be beaten, as all board sizes can theoretically be solved with one click.»


Já fiz o paste.