Só para descer (e muito) o nível e porque me apetece, aqui fica o primeiro (e último capítulo) da história do Mémé Trampinha, relatada pelo próprio.
"É terça-feira. Acordo às 10:30, bastante mais cedo que o habitual. Afinal só tinha de estar no trabalho às 9:00. Não é grave. Ando a comer a irmã do chefe, que é feia que nem um trombone, para alguma coisa.
Olho para o outro lado da cama. Era suposto estar lá alguém. Tento lembrar-me da noite anterior mas só me lembro de estar a gatafunhar no meio da badola duma tipa qualquer. Enquanto visto os suspensórios reparo que não tenho carteira. Foda-se! Para além de puta, também rouba! Já dizia o grande putanheiro Manel Frade... "Se fodes a pagar, toma precaução a dobrar!". Faz o que eu te digo, não faças o que eu faço deve ser o novo lema do Manel, já que acabou com a picha num frasquinho com álcool. Com tanto enterranço em buraco alheio deve ter apanhado 50 estirpes diferentes de virus. Aquela pila já parecia o zoo, as pessoas até pagavam para ver a bicharada que lá andava.
Apanho um táxi com o dinheiro que guardo sempre junto ao tomate esquerdo, já que o direito perdi em Angola... ai as saudades do Ultramar. Aprecio o odor das notas antes de as colocar de novo no meio da salada.
A viagem de táxi correu bem. Entre buzinadelas e insultos, só batemos duas vezes. Ah também varremos um caniche, para grande satisfação do condutor. Pareceu-me ouvir mesmo uma gargalhada. Ah não, isso fui eu.
Quando entrego o dinheiro, reparo que este taxista também guarda as notas no mesmo sítio que eu. Que coincidência estranha. As notas prosseguem assim uma viagem semelhante à das abelhas. Só que em vez de flores, migram entre colhões. Como diz o outro, a merda é a mesma, só o cheiro é que muda.
São 11 horas e 15 minutos quando chego finalmente ao trabalho. Passo pela Secretária do Chefe e lanço o bitaite matinal: "Bom dia, cara linda!". Ela responde, claramente a aderir ao flirting, como dizem na América: "O que é que queres Mémé?". Eu, como o Eusébio, não desperdiço oportunidades à frente da baliza. "O que eu quero? Ó Mariazinha, isso é coisa que se pergunte a um homem casado? Vamos lá ver se não tenho de castigar esse rab...". Sou interrompido pelo Chefe que se encontrava mesmo atrás de mim, a aprender a cantiga do malandro.
"Boa Tarde.", diz-me ele. Anormal do caralho. Eu respondo-lhe à letra: "Boa Tarde, o caralho! Tive que ir servir-me à Casa de Meninas da Caparica porque a vaca da tua irmã não me faz o serviço como deve de ser!". Ele responde: "Ainda não ouvi a malta do bairro queixar-se!". Puta, penso para mim mesmo.
"Se eles não se queixam da tua mãe...", digo com um sentido de orgulho e ainda com a dentição completa. Ainda porque em seguida a mão esquerda do chefe colidiu com a minha bochecha direita. Para além do dente, fiquei também sem emprego.
Vou para casa. Reparo que ainda tenho dinheiro para o beijinho putanal. Há que ocupar o tempo livre..."
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